Terça-feira, Setembro 28, 2004
Às vezes eu me pergunto onde está a solidariedade.Onde a esconderam para só tirar vantagem?Por que não há quase preocupação com os amigos?Estamos sempre tão focados na nossa vidinha...somos apenas merda em caixa de fósforo.Por que não olhamos pro lado,estendemos a mão?De mãos dadas somos tão fortes, viramos quase um numa ponte de dedos,mãos e braços.Quanta coisa a gente não se permite?Somos pequenos...
"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação."
(Drummond in "O Sentimento do Mundo")
post soprado às 1:49 PM por Rafaela Cunha
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